É entre um hiato e outro. De verdade. Eu não estou sentada na beira da água, eu não estou vendo a sua mão longe de pertinho, eu não estou caminhando para trás. Eu estou, sim. Mas é só porque eu agora piso com força pra alargar essa fenda chamada hoje, para prender o instante entre o meu pé e o cimento nem que seja esmagando. É só esse instante esmagado o que eu posso guardar, e ele, esfarelado e inútil, morto, morto, morto, esse cadáver de instante chamado memória é melhor do que instante nenhum. É por ele que eu sobrevivo. Entre um hiato e outro.
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